Circum navegação

Começou com a polpa dos teus dedos no meu pescoço. Logo abaixo da garganta, naquela cova onde batem as emoções. Deixaste-te ficar por aí algum tempo, numa dança entre o indicador e o médio que, sem nunca parar, me ia tomando o pulso. Afundaste os olhos nos meus e ficaste à distância de um sopro,Continue a ler “Circum navegação”

Partículas beta, posítrons e radiação gama

É como se os braços e as pernas deixassem de estar lá. Vejo-os, e se disser ao meu cérebro “levanta o braço direito” o meu braço direito levanta-se. Mas sinto-os sem os sentir, num adormecimento que me faz cravar as unhas na pele para tentar perceber se o toque ainda funciona. Depois são as pernas,Continue a ler “Partículas beta, posítrons e radiação gama”

o meu corpo não é domínio público

É uma questão velha como o mundo. Quando a humanidade inventou as religiões subordinou a mulher ao homem e daí veio a enxurrada de lixo sexista que dominou o ocidente até à década de sessenta do século passado. Comecei recentemente a reler “O Segundo Sexo” de Simone de Beauvoir (reeditado pela Quetzal em 2009, comContinue a ler “o meu corpo não é domínio público”