Do Amor em Tempos Digitais

Primeiro foi o cheiro. Nem sequer o aroma de um perfume, ou o odor de um creme da barba. Foi o teu cheiro. O cheiro da tua pele, despida. Encostar o nariz ao teu pescoço e sorver-te em emanações que imediatamente se transformaram em dopamina. Tinha começado a Primavera e decidimos testar no mundo realContinue a ler “Do Amor em Tempos Digitais”

Tudo o que não sou

Não sou invejosa, a cobiça há de ser dos únicos pecados mortais que me escapou. Não sou preguiçosa, dou-me à indolência a espaços mas vivo para fazer e concretizar. Não sou criativa, crio por necessidade de quase sobrevivência individual mas em processo lento e ponderado. Não sou boa no improviso, o inesperado faz-me parar aoContinue a ler “Tudo o que não sou”

Voar

Desta vez, tínhamos escolhido um penhasco. Não importava realmente onde, só precisávamos de rocha alta e mar. Finisterra, arquipélago, cabo do Mundo, a geografia acabou por ser desinteressante, mandámo-nos para a primeira linha de ecrã dos destinos do dia em que nos decidimos a voar para fora do confinamento. Paradoxalmente, quando chegámos, sentimo-nos dentro. DentroContinue a ler “Voar”

O som da tua pele

Acordei contigo nos meus sonhos hoje. Morfeu fez vista grossa quando te peguei na mão e te trouxe para o lado de cá da ombreira do real, directa para a chaise longue da sala, onde te cobri de mantas e te depositei uma chávena de chá no colo. Estás aqui, agora, nesta casa que nuncaContinue a ler “O som da tua pele”

Partículas beta, posítrons e radiação gama

É como se os braços e as pernas deixassem de estar lá. Vejo-os, e se disser ao meu cérebro “levanta o braço direito” o meu braço direito levanta-se. Mas sinto-os sem os sentir, num adormecimento que me faz cravar as unhas na pele para tentar perceber se o toque ainda funciona. Depois são as pernas,Continue a ler “Partículas beta, posítrons e radiação gama”

“Fizeste o mapa do firmamento que trago na pele. Desenhaste as constelações com a polpa dos teus dedos e traçaste um horóscopo na abóbada da nossa história.Com riscos suaves criaste signos desconhecidos com que preencheste um novo mapa do mundo. Nada foi igual depois desta cartografia dos amantes.”

. da perda

Os mecanismos da perda são curiosos. Revestem-se de desconstrução feita no meio da dor. Obrigam-nos a mergulhar no pântano do sofrimento e a espernear atolados em viscosidade e degradação, o que só nos afunda mais na prisão imobilizante de um certo desespero. Perder implica posse. Vem daí a platitude parva do “mais vale amar eContinue a ler “. da perda”

. da recorrência

Revisito-te amiúde. És permanência e inevitabilidade. Há algo de profundamente nosso que nunca nos abandona. Que sabemos sem dizer e que aceitamos com conforto. Temos história. Décadas que não são impunes. Partilhamos alma, razão e ser. Sabemo-nos e descobrimo-nos. Sem esforço e com vontade. Partilhámos camas por onde calhou, calcorreámos cidades de rios e deContinue a ler “. da recorrência”

.da exigência

“Ninguém dá o que tu dás.” Se visitarem o Blue Notes 1.0 há por lá um texto que, discretamente, cospe esta frase para cima da narradora. Continua a ser das poucas entradas que me orgulham à distância de mais de uma década. Não só porque se trata de um diálogo muito bem construído (assumo aContinue a ler “.da exigência”

Músicas da minha vida – “Reflexos”

O jazz chegou à minha vida pela mão da minha mãe. Curiosamente, ela não ouvia jazz, foi sempre menina de coro de igreja, afinada e composta. Como já perceberam, saio ao meu pai. Mas os primeiros CD de jazz que ouvi entraram-me no quarto pela mão dela que, de alguma forma, começou a fazer-me umaContinue a ler “Músicas da minha vida – “Reflexos””

eucaristia

Era uma vez uma menina. Não era particularmente interessante, nem chamava a atenção quando passava pelo caminho acolchoado a relva que levava ao átrio da igreja, dia após dia, sempre à mesma hora, a tempo da missa das sete. Menos aos Domingos. Aos Domingos não havia missa das sete. Usava invariavelmente saia e embora mudassemContinue a ler “eucaristia”

dar corpo à ausência

Assim que a porta se fechou nas tuas costas, foi como se uma cortina de gelo descesse sobre a casa. E não estou a ser metafórica, foi arrepio de pele, encolher de ombros em desconforto, nuca eriçada por calafrio. Como se atrás de ti tivesse ido qual cauda de cometa todo o calor destes dias.Continue a ler “dar corpo à ausência”

Aguda

Ouve-se o mar. As ondas, no seu ir e vir certo como a morte. Mas sente-se também algo mais profundo. Aquele rugido rouco do oceano que parece que nasce nos confins do tempo para nos trazer a memória de tudo o que somos enquanto humanidade. Limitamo-nos a navegar na superfície da sabedoria da água salgada,Continue a ler “Aguda”

The imperfect Scottish gentleman

Foi a primeira crush da minha vida, ainda a palavra crush não existia em português. Era genial – bonito, misterioso, sedutor, dono de uma voz que fazia vibrar as cordas do coração e, como se tudo isso não fosse suficiente, bom actor. Os únicos 007 que vi por vontade própria foram os dele, e peseContinue a ler “The imperfect Scottish gentleman”

O caracol do Trindade

Entre a bilheteira e a entrada das salas do cinema Trindade há um caracol. Uma curva que se enrola sobre sim mesma, em madeira daquela à moda antiga, que vai do chão ao tecto. Quem entra pensa que é um daqueles pormenores arquitectónicos que ninguém a não ser quem os desenhou sabem porque existem, masContinue a ler “O caracol do Trindade”

. dos (meus) pais

À pala da pandemia os meus pais desenvolveram capacidades tecnológicas que me parecem verdadeiros super-poderes.Agora, volta e meia, envio-lhes o que escrevo em forma de link pelo WhatsApp. O meu pai recebe, abre, lê. Sei que se comove na sua fortaleza de aparente indiferença e se lhe marejam os olhos. Nunca me diz que meContinue a ler “. dos (meus) pais”

A importância do beijo

um beijo tem o mundo todo lá dentro a Um beijo pode ser lento. Tão demorado que se perde em si mesmo e faz esquecer o tempo. Um beijo pode ser hesitante. Tentativo, tímido e titubeante. Um beijo pode ser sôfrego. Impaciente, voraz, nascido de desejo e desespero imediatista. Um beijo pode ser roubado. ComContinue a ler “A importância do beijo”

Despertar

Gosto de ouvir música quando escrevo. A música certa torna o trabalho mais fluido, mais instintivo e espontâneo. O que funciona melhor são as melodias que crescem e se acanham, deambulam pelo escritório como pautas dançantes, e me envolvem sem me arrastar para dentro de viagens afectivas ou danças inevitáveis. Comecei um projeto novo ontemContinue a ler “Despertar”

Ponto de cruz

O avesso tem que ser perfeito. Traços verticais, paralelos, espelho colorido do lado público. Só os remates se podem atravessar nesta bitola, necessidade feita excepção que confirma a regra. De resto, é um mundo seguro, estanque, determinado e previsível. Fio, agulha, tela e esquema. Instruções feitas de símbolos, que viram desenhos com volteios de mão.Continue a ler “Ponto de cruz”

. do hedonismo

Tenho o hábito de me descrever como uma hedonista, o que regra geral levanta algumas sobrancelhas. Mais não fosse porque sou mulher e às mulheres o prazer dos prazeres ainda é reprimido. Mas acredito que em grande medida porque o conceito puro, filosófico, de hedonismo eleva o deleite a sentido último da vida, o queContinue a ler “. do hedonismo”

Método – Marriage Story

Ainda não falámos aqui de cinema, esse meu amor maior. Para uma arte que é a sétima, cabe-lhe dentro o mundo todo: o mundo que fazemos, o mundo que sonhámos fazer e o mundo que nunca nos lembrámos de fazer. Nas palavras de Fellini, não há fim, nem início, há apenas a infinita paixão daContinue a ler “Método – Marriage Story”

É só carregar num botão

Só me lembrei quando passei a soleira e senti o silêncio. Parei na entrada, com a porta ainda aberta, a carteira ao ombro e a Uncharted a saltar em automatismo do telemóvel para a coluna esquecida nessa manhã no esvazia bolsos. Ainda por cima Kensington era a tua cena, tinhas sido tu a trazê-los paraContinue a ler “É só carregar num botão”

coagulação, inflamação, proliferação, contração, remodelação

Começou tudo no sábado em que, a acabar de preparar o jantar para as visitas, cortei o anelar esquerdo ao mesmo tempo que o pão. Foi uma dor momentânea, de sangue abundante, com uma faca de pão grosseira que esfacelou mais do que golpeou. Apertei o dedo acima do coração a caminho da casa deContinue a ler “coagulação, inflamação, proliferação, contração, remodelação”

o meu corpo não é domínio público

É uma questão velha como o mundo. Quando a humanidade inventou as religiões subordinou a mulher ao homem e daí veio a enxurrada de lixo sexista que dominou o ocidente até à década de sessenta do século passado. Comecei recentemente a reler “O Segundo Sexo” de Simone de Beauvoir (reeditado pela Quetzal em 2009, comContinue a ler “o meu corpo não é domínio público”

Banda Sonora do Amor

Todos temos aquelas canções que nos falam ao sentimento. A primeira faixa da mix tape que a crush do liceu nos gravou, aquela música que nos dedicaram numa guitarra, a melodia que nos acompanhou ao altar. Há umas que são sublimes, outras pirosas de todo, até há algumas incompreensíveis. Mas todas, todas, todas fazem soarContinue a ler “Banda Sonora do Amor”

Marcadores de Intimidade – Desmoronar

Somos todos construções sociais, por muito Mogli que nos achemos. Apresentamo-nos ao mundo conforme esperamos ser percecionados, modelando porte e trato. Há a nossa versão dentro da empresa, há nossa versão à mesa das reuniões familiares, há nossa versão primeiro encontro via Tinder. Espelhamo-nos constantemente na que acreditamos ser a expectativa alheia. E vivemos assim,Continue a ler “Marcadores de Intimidade – Desmoronar”

. da empatia

Imagens num ecrã. Eras imagens num ecrã, e nem o teu rosto se via entre elas. Mas as imagens no ecrã eram belíssimas, e as palavras eram as certas. Se os valores por trás dessas palavras fossem reais, estaria tudo lá – parecia tudo ajustado, sentia-se tudo presente. Encontrámo-nos e fomos explorando, trocando palavras, cautelosasContinue a ler “. da empatia”

Primum non nocere

Sinto que cheguei a um ponto da viagem em que começa a pesar a importância do que ando, em última análise, cá a fazer. A ausência de qualquer tipo de fé transcendental sempre tornou mais urgente a atribuição de significado à quotidianidade, que o peso da herança (pela ausência de desejo de prole) nunca oContinue a ler “Primum non nocere”

Ajoujada ao peso do afecto

Acabo de entrar em casa e trago nos braços a vida toda. Além do de sempre – a carteira, o portátil, a água, os livros, o telemóvel a tocar música – trago envelopes para correio editorial, cartas manuscritas recebidas, conversas acabadas de ter que ainda ressoam entre as orelhas e, pendurado nos dedos indicador eContinue a ler “Ajoujada ao peso do afecto”

Cartas de Amor – Luísa

Olá Luísa, Um dia, há quase década e meia, escrevia-te assim: Fresh starts Vinte e quatro horas. Daqui a 24 horas tem início o tal resto da tua vida que canta o outro. Ancorada num passado recente e tempestuoso, cheio de vagas dissonantes, começa a nova e tão ansiada etapa. Amanhã regressas à cidade queContinue a ler “Cartas de Amor – Luísa”

Cartas de Amor – Amores maiores

Inevitável. Incondicional. Irracionalizável. Explicar este amor é um exercício de futilidade. Há pouca coisa que não consiga, com maior ou menor esforço, passar a verbo. O amor que vos tenho é a excepção. Amo-vos porque sim. Porque não escolhi amar-vos, porque quando soube de vós já se me tinham misturado na massa do sangue eContinue a ler “Cartas de Amor – Amores maiores”

. da escolha

Como sociedade habituámo-nos a achar que o direito à vida é um dever. Que pelo facto de existirmos temos algum tipo de dívida para com o colectivo. Nunca acreditei nesse mantra. A minha vida a mim pertence. Posso escolher partilhá-la, mas no final do dia é minha e apenas minha. É por isso que oContinue a ler “. da escolha”

Cartas de Amor – Judite

Sabes, Judite, eu gosto de ti. Não sei, há coisas na vida que devem ser epidérmicas, que não se entendem e que não se explicam. Conhecemo-nos em viagem, dividimos quarto, conversas e afetos por duas semanas e por circunstancial que pudesse ter sido, ficou um querer bem até hoje, apesar no meu ghosting… Quero saberContinue a ler “Cartas de Amor – Judite”

. do fascínio

O cheiro de uma pele. Um olhar firme, sereno e perscrutador.Uma voz grave, de peito, uma voz de declamar, que faz da minha sala uma catedral em abóbada.O barulho de uma unha a deslizar contra o sentido do pelo da barba ao longo da linha do queixo.Uma mão aberta, firme, de palma empurrada contra oContinue a ler “. do fascínio”

Solidões habitadas

Adoro cidades. São o meu habitat. As minhas savanas. São confortáveis, todas reconhecíveis. Malhas urbanas, blocos empilhados, texturas espraiadas. Eixample e RavalBaixa Pombalina e AlfamaUpper East Side e Washington HeightsShinjuku e Shibamata É o conceito que as une: concentração populacional e infraestruturas. Os que as distingue é tanto e tão vasto como aquilo que fazContinue a ler “Solidões habitadas”

jorro

Não consigo parar o meu pensamento, é como um comboio desgovernado, uma avalanche de emoções e ideias encadeadas ininterruptamente, que não consigo parar, abrandar, conter. Às vezes basta perceber que fiz algo tão pueril como um comentário que falhou a marca no Twitter para desencadear uma crise de horas de insónia naquela que era umaContinue a ler “jorro”

nocturnos

Contra tudo o que o instrutor Teodoro se esforça por me inculcar na cabeça, não perco o hábito de sair do Trindade, tirar a máscara, desenrolar o cordão dos fones, ligá-los ao telemóvel, abrir o Spotify e escolher o ritmo do resto da noite. Quase que o consigo ouvir a repetir-me, em todas as aulas,Continue a ler “nocturnos”

minha Lisboa (que não quero deixar)

Parto de alma cheia, coração pesado e cabeça em turbilhão. Redescobri essa capital que me pertence, 20 anos depois – renovada, mas ainda a mesma. E na altura perfeita: no final de um Verão que ainda aquece as ruas e liberta tempo às minhas gentes e a recuperar de um confinamento que devolveu os daContinue a ler “minha Lisboa (que não quero deixar)”

Voltar atrás para seguir em frente?

Os trejeitos estão lá. O falar ininterrupto, o preencher o vazio com voragem. Os teus substantivos, os teus inatismos. A tua construção que nunca cheguei a perceber se é feita para ser fortaleza ou se é de facto simplesmente a tua fundação. Ao fim de algum tempo estava lá até o meu tique de revolverContinue a ler “Voltar atrás para seguir em frente?”

é suposto o amor dar trabalho?

Bagagem. Passado. História. Temos todos, não temos? Uns mais cedo, outros mais tarde – mas andamos todos pela vida fora a coleccionar amolgadelas nos pára-choques. Quando chegamos às mãos de alguém já vamos danificados. Até podemos levar aquele cheiro a carro novo, conquistado numa lavagem manual qualquer, mas não há massa de polir que apagueContinue a ler “é suposto o amor dar trabalho?”

Meia vontade de nada

Acordei às 7h30, mas só me levantei às 9h30. Com meia vontade de tudo. Meia vontade de ler, meia vontade de escrever, meia vontade de sexo, meia vontade de sair. Saí da cama, fui fazendo o pequeno almoço, fui comendo o pequeno almoço, fui tomando banho, fui arranjando o cabelo, fui-me vestindo. Escrevi, troquei meiaContinue a ler “Meia vontade de nada”

Marcadores de intimidade – Ler em voz alta

Há gestos, cumplicidades, odores, partilhas, toques que só acontecem dentro da película da esfera da intimidade. A intimidade transcende o sexo, transcende a quotidianidade, transcende o hábito. A intimidade revela-se em pequenos nadas que carregam o mundo às costas. Inaugura-se hoje o Marcadores de Intimidade do Blue Notes. Ler em voz alta. Ler em vozContinue a ler “Marcadores de intimidade – Ler em voz alta”

O tempo responde ao tempo que o tempo tem tanto tempo quanto tempo o tempo tem

Ainda tenho a E de sábado deitada comigo na cama. Armar-me em fénix na meia idade tem destas coisas; renasço na reinvenção, mas também recupero as minhas inevitabilidades. E ser vida para a qual o relógio não chega será sempre uma delas. A inquietude da próxima curva da estrada também permanece e complica a matemáticaContinue a ler “O tempo responde ao tempo que o tempo tem tanto tempo quanto tempo o tempo tem”

Músicas da minha vida – “Pedra Filosofal”

Há vozes que não esquecemos. Lembro-me da da Mãe Florinda quando me ralhava por tirar os coelhos bebés das jaulas para lhes fazer festinhas – ficavam “moles”; era uma voz zangada mas bondosa. Lembro-me da da professora Piedade quando me dizia para corrigir as vírgulas nos meus artigos para o jornal da escola preparatória; nãoContinue a ler “Músicas da minha vida – “Pedra Filosofal””

Amores impossíveis – Beirute, Líbano

Tenho um fascínio incontornável pelo que já foi e não volta a ser e Beirute habita no meu imaginário como algo que cheguei demasiado tarde para viver. Falhei o Maio de ’68, falhei Woodstock, falhei os cravos no Carmo. Nasci 30 anos atrasada. A explosão no porto de Beirute virou novamente os olhos do mundoContinue a ler “Amores impossíveis – Beirute, Líbano”

“quem adormece em democracia acorda em ditadura”

Vários escritores de língua portuguesa publicam hoje no Público uma carta aberta em que repudiam o racismo, a xenofobia e o populismo e defendem uma cultura e uma sociedade livres, plurais e inclusivas: Temos assistido nos últimos meses a um crescente sentimento nacional de que falar de racismo em Portugal é dar palco a quemContinue a ler ““quem adormece em democracia acorda em ditadura””

Profilácticos

Dar as mãos é agora um acto subversivo. Já pensaram nisso? Há quase meio ano que partilhar toque passou a ser tabu. Se vemos alguém tirar a máscara para beijar outra pessoa reagimos com repulsa e recriminação – “que nojo, inconscientes!”. Quando nos deixaram sair de casa e reencontrámos os nossos afectos, aprendemos a refrearContinue a ler “Profilácticos”

Músicas da minha vida – “Wish You Were Here”

Descobri tristemente muito cedo que a morte é o destino inescapável até de quem é imortal, mas só aprendi o que é ausência já na idade adulta. Esse vácuo, esse vórtice, esse oco, que percebes num relâmpago que nada nunca ninguém poderá preencher porque não há no universo matéria igual ao que se perdeu. AContinue a ler “Músicas da minha vida – “Wish You Were Here””

Take da Lusa

Nos anos em que andei a estudar para ser jornalista, treinávamos com takes da Lusa. Eram notícias escritas pela redacção da agência, partilhadas por um sistema de impressão à distância (sim, sou pré-internet), que recebíamos, seleccionávamos e (às vezes) reescrevíamos ou (outras vezes) editávamos. Inaugura-se hoje o Take da Lusa do Blue Notes. Na Bielorrússia,Continue a ler “Take da Lusa”