Verão

Não te deixo tomar banho quando chegamos a casa da praia. Gosto de te despir e passar as mãos pelo teu contorno. Encostar o nariz à tua pele e sentir o cheiro a bronzeador, mar, areia, transpiração. No final de tudo isso – que sabe a sol – o odor que é só teu. Que reconheço de olhos fechados, como um cão pisteiro solto numa floresta desconhecida.

Navegamos pela casa largando roupas, toalhas, sacos, chaves, isqueiros. Areia que rasga o chão de madeira. Não temos propósito mas sabemos o destino. Os corpos quase massacrados pelo sol, misturados e vorazes, atirados contra lençóis de algodão frio, ao sabor da luz que roda para longe da vista. Juntamos novos perfumes, celebramos um verão que há de chegar e acabamos no terraço onde ninguém nos vê a chocalhar pedras de gelo em gin britânico e rum colombiano.

Encosto o copo vazio mas ainda gelado ao teu peito e aceito render-me à realidade de um duche que encerra um fim de semana e te eterniza nos meus sentidos.

Publicado por M.

Uma mulher. Um corpo, uma mente, um coração, uma alma. Dura, carinhosa. Desconfiada, crente. Chorosa, sorridente. Uma mulher, todos os mundos.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: