Silêncios

Há silêncios que queimam. Silêncios de olhos perdidos dentro de olhos.

Há silêncios que gelam. Silêncios que abrem a pele com lâminas de frieza.

Há silêncios que matam. Silêncios terminais e derradeiros.

Há silêncios que desconfortam. Silêncios de remexer em cadeiras e fugir a olhares.

Há silêncios que se esgotam. Silêncios que se desvanecem em conversas lentas.

Há silêncios que confortam. Silêncios despercebidos, que dizemos acolhedores.

Há silêncios que se impõem. Silêncios declarativos e marciais.

Há silêncios que desprezam. Silêncios redutores, abusivos, cruéis.

Há silêncios que ignoram. Silêncios inocentes, inconscientes e de desatenção involuntária.

Há silêncios que partilham. Silêncios comuns, dentro dos quais se constrói intimidade.

Os silêncios, todos, ao sublimar o que fica por dizer, dão sentido às palavras. É tudo mais agudo em silêncio, mais presente, real e concreto. É nos silêncios que nos encontramos e aprendemos o outro. O silêncio é a plateia da palavra, a igreja da consciência, o andaime da emoção e o alicerce da realidade.

Foto de lilartsy no Pexels [editada]

Publicado por M.

Uma mulher. Um corpo, uma mente, um coração, uma alma. Dura, carinhosa. Desconfiada, crente. Chorosa, sorridente. Uma mulher, todos os mundos.

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