. da solidão

Estou em pé num espaço vazio. Tenho os pés assentes em algo que me sustém mas não há nada à minha volta, é como se me segurasse em ausências. É um ambiente sem cor, sem som, sem temperatura, sem movimento. É tempo e presença. E é aí que estou, em pé.

Orwell dizia que nascemos sozinhos, morremos sozinhos e até vivemos sozinhos. Que com sorte, tínhamos amor e amizade pelo caminho em doses suficientes para criar a aparência de companhia. Nos momentos piores não há mão que atravesse este exílio e nos alcance. Nos momentos piores – sem cores, sem sons, sem calor e em imobilidade involuntária – não há ilusão de presença que ganhe corpo suficiente para nos amparar.

Sem pontos de referência tentamos descobrir um centro de gravidade intrínseco que nos situe no giroscópio do abandono, que nos endireite o horizonte e nos alinhe com o eixo do mundo. Com sorte dos momentos piores sai um caminho. Com sorte nesse caminho há amparo. Com sorte esse amparo torna a solidão menos real. Com sorte a solidão pode viver-se acompanhada.

Não seria bonito? Não seria terrivelmente belo que a solidão pudesse ser partilhada?

Publicado por M.

Uma mulher. Um corpo, uma mente, um coração, uma alma. Dura, carinhosa. Desconfiada, crente. Chorosa, sorridente. Uma mulher, todos os mundos.

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