The imperfect Scottish gentleman

Foi a primeira crush da minha vida, ainda a palavra crush não existia em português. Era genial – bonito, misterioso, sedutor, dono de uma voz que fazia vibrar as cordas do coração e, como se tudo isso não fosse suficiente, bom actor.

Os únicos 007 que vi por vontade própria foram os dele, e pese embora a minha total devoção à causa Connery, ainda prefiro o Jim Malone e o William von Baskerville ao Bond.

Nunca lhe perdoei o Allan Quatermain que o fez desistir dos palcos e dos “idiotas que agora fazem filmes em Hollywood”.

Tolerei-lhe a misoginia como o faço a Miller, Buckowski ou Hemingway, num esforço de admiração criativa e anulação activista. O apoio explícito ao SNP era só mais uma entrada na coluna dos positivos.

Sean Connery teria provavelmente morrido em 2020 mesmo que 2020 não fosse o que está a ser. Assim, é um distanciamento adicional, que se soma à coluna dos negativos.

Na noite em que se acredita que o mundo dos vivos mais se encosta ao reino dos mortos, tenho a esperança de que venha, no escuro, sentar-se comigo e narrar-me a véspera de todos os santos em que fechou os olhos e me deixou mais só, mais triste e mais grisalha.

1930 – 2020

Publicado por M.

Uma mulher. Um corpo, uma mente, um coração, uma alma. Dura, carinhosa. Desconfiada, crente. Chorosa, sorridente. Uma mulher, todos os mundos.

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