Ponto de cruz

O avesso tem que ser perfeito. Traços verticais, paralelos, espelho colorido do lado público. Só os remates se podem atravessar nesta bitola, necessidade feita excepção que confirma a regra. De resto, é um mundo seguro, estanque, determinado e previsível. Fio, agulha, tela e esquema. Instruções feitas de símbolos, que viram desenhos com volteios de mão. Como qualquer processo mecânico é hipnótico, na inflexão da agulha que une espaços uniformes do tecido, no som do fio que atravessa o pano, no repuxar da linha com a unha para ajustar o ponto na diagonal perfeita. Completa-se o esquema e contempla-se a obra. Escolhe-se o próximo destino e retoma-se a abstração, fio-agulha-tela-esquema.

Publicado por M.

Uma mulher. Um corpo, uma mente, um coração, uma alma. Dura, carinhosa. Desconfiada, crente. Chorosa, sorridente. Uma mulher, todos os mundos.

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