Despertar

Gosto de ouvir música quando escrevo. A música certa torna o trabalho mais fluido, mais instintivo e espontâneo. O que funciona melhor são as melodias que crescem e se acanham, deambulam pelo escritório como pautas dançantes, e me envolvem sem me arrastar para dentro de viagens afectivas ou danças inevitáveis.

Comecei um projeto novo ontem e por isso estive a trabalhar até tarde. É um projeto que me entusiasma e preocupa ao mesmo tempo, precisava de o processar da forma certa, de lhe encontrar um rasto que me levasse a bom porto. Era importante encontrar a harmonia adequada. Nem sequer foi difícil – Alice, banda sonora.

As saudades da música do Bernardo Sassetti são recorrentes nesta casa, o Alice é um filme que se aluga um par de vezes ao ano no videoclube da Vodafone e a viagem que o álbum invoca dentro da minha memória – cinzenta e crua, despida e despojada – era a que precisava de fazer para dar corpo ao novo rebento.

Quando senti o pescoço a dobrar em frente ao ecrã porque o cansaço (que nunca o sono) fazia a cabeça pesar mais que o pensamento, fui-me deitar. Como sempre que me vou deitar, levei música comigo e deixei-a pousada ao lado da almofada. Ler à luz da música na cama é outro hábito desta casa, mas ontem nem isso. O Bernardo ficou a tocar em continuidade até que acordei, hoje, aqui, À Espera de Alice.

Publicado por M.

Uma mulher. Um corpo, uma mente, um coração, uma alma. Dura, carinhosa. Desconfiada, crente. Chorosa, sorridente. Uma mulher, todos os mundos.

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