O tempo responde ao tempo que o tempo tem tanto tempo quanto tempo o tempo tem

Ainda tenho a E de sábado deitada comigo na cama.

Armar-me em fénix na meia idade tem destas coisas; renasço na reinvenção, mas também recupero as minhas inevitabilidades. E ser vida para a qual o relógio não chega será sempre uma delas.

A inquietude da próxima curva da estrada também permanece e complica a matemática já de si exponencial que é vir para descobrir, estar para desfrutar, acompanhar para abraçar, parar para registar. O hedonismo também continua e torna mais agudos os contornos da exigência de tudo isto, naquela voragem de quem nunca aprendeu a esperar, de quem não sabe dosear, de quem não quer priorizar.

Para quem o estio não era opção de pausa há quase década e meia, nove dias pareceram o pote de ouro no final do arco-íris, uma concha de possibilidades infindas. Reconquista urbana, trilhos íngremes, cinemas adiados. Abraços atrasados, conversas sem relógio, olhares cúmplices. Leituras novas, cadernos a estalar, cursores imparáveis.

Mas o tempo, mesmo o tempo de quem não dorme, dobra-se, estica-se e molda-se sem nunca se chegar. O meu tempo, que já teve tempo a mais, volta agora a ser tempo de menos para me bastar. E quero tudo, ainda, no tempo que não alcança a tudo me dar.

E a E de sábado vai continuar deitada na cama à minha espera.

Publicado por M.

Uma mulher. Um corpo, uma mente, um coração, uma alma. Dura, carinhosa. Desconfiada, crente. Chorosa, sorridente. Uma mulher, todos os mundos.

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