Profilácticos

Dar as mãos é agora um acto subversivo.

Já pensaram nisso? Há quase meio ano que partilhar toque passou a ser tabu. Se vemos alguém tirar a máscara para beijar outra pessoa reagimos com repulsa e recriminação – “que nojo, inconscientes!”.

Quando nos deixaram sair de casa e reencontrámos os nossos afectos, aprendemos a refrear o impulso e a ânsia de nos atirarmos em abraços mútuos – e que falta que esses abraços nos fizeram.

Pior – condicionamo-nos a nós mesmos para castrar a nossa fisicalidade. Absorvemos a distopia e estamos a caminho de a transformar num inatismo – li, algures, que com mais alguns anos disto os nossos filhos vão passar a considerar a boca uma zona privada e secreta, um sucedâneo de genitália.

Estamos a normalizar o distanciamento físico e eu não consigo partilhar beijos de máscara.

Publicado por M.

Uma mulher. Um corpo, uma mente, um coração, uma alma. Dura, carinhosa. Desconfiada, crente. Chorosa, sorridente. Uma mulher, todos os mundos.

2 opiniões sobre “Profilácticos

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