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Blue Notes

O jazz é feito de notas azuis, um semitom abaixo da música mortal. À mistura com ritmos sincopados, chamada-e-resposta, swings, poliritmos e improvisações… Melodias e silêncios que se articulam ao sabor do humor da noite, acompanhados pelas vocalizações dissonantes do scat singing. Se o jazz fosse a minha vida, eu seria o sax tenor que ora nas fileiras de uma big band perdida nas quintas-feiras do Cotton Club.

Uma vida sem paixão

Soa a filme classe B, livro da Harlequim, canção romântica sem circulação comercial. Mas acompanhem-me lá no exercício – o que teria sido a vossa vida se não tivessem a capacidade de se apaixonarem. A premissa parece óbvia, logo na linha de partida. Quase todos responderíamos “se não fosse capaz de me apaixonar, nunca tinhaContinue a ler “Uma vida sem paixão”

Circum navegação

Começou com a polpa dos teus dedos no meu pescoço. Logo abaixo da garganta, naquela cova onde batem as emoções. Deixaste-te ficar por aí algum tempo, numa dança entre o indicador e o médio que, sem nunca parar, me ia tomando o pulso. Afundaste os olhos nos meus e ficaste à distância de um sopro,Continue a ler “Circum navegação”

Silêncios

Há silêncios que queimam. Silêncios de olhos perdidos dentro de olhos. Há silêncios que gelam. Silêncios que abrem a pele com lâminas de frieza. Há silêncios que matam. Silêncios terminais e derradeiros. Há silêncios que desconfortam. Silêncios de remexer em cadeiras e fugir a olhares. Há silêncios que se esgotam. Silêncios que se desvanecem emContinue a ler “Silêncios”

Diz-me o que calças…

“Walk a mile in their shoes.” E se em vez de uma metáfora feita conselho de vida, levássemos à letra a batida expressão anglo-saxónica e nos dedicássemos a palmilhar uns quantos quilómetros nos reais sapatos alheios? Cheios de ciclopirox, claro, que os tempos não estão para desleixos. A minha (santa) mãe calça o 35. EuContinue a ler “Diz-me o que calças…”

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Music is a journey. Jazz is getting lost. 

– John O’Farrell in ‘The Best a Man Can Get’ (1999)