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Blue Notes

O jazz é feito de notas azuis, um semitom abaixo da música mortal. À mistura com ritmos sincopados, chamada-e-resposta, swings, poliritmos e improvisações… Melodias e silêncios que se articulam ao sabor do humor da noite, acompanhados pelas vocalizações dissonantes do scat singing. Se o jazz fosse a minha vida, eu seria o sax tenor que ora nas fileiras de uma big band perdida nas quintas-feiras do Cotton Club.

Diz-me o que calças…

“Walk a mile in their shoes.” E se em vez de uma metáfora feita conselho de vida, levássemos à letra a batida expressão anglo-saxónica e nos dedicássemos a palmilhar uns quantos quilómetros nos reais sapatos alheios? Cheios de ciclopirox, claro, que os tempos não estão para desleixos. A minha (santa) mãe calça o 35. EuContinue a ler “Diz-me o que calças…”

Veranear

Ao fim de onze anos na casa que é só minha comprei duas cadeiras para a varanda. No parapeito, um globo de gin tónico, um cigarro que queima esquecido e um telemóvel pronto para ligar a quem já morreu. É meia noite e estão 25 graus. A lua, desavergonhada, rasga um céu negro firme, completamenteContinue a ler “Veranear”

Do Amor em Tempos Digitais

Primeiro foi o cheiro. Nem sequer o aroma de um perfume, ou o odor de um creme da barba. Foi o teu cheiro. O cheiro da tua pele, despida. Encostar o nariz ao teu pescoço e sorver-te em emanações que imediatamente se transformaram em dopamina. Tinha começado a Primavera e decidimos testar no mundo realContinue a ler “Do Amor em Tempos Digitais”

Tudo o que não sou

Não sou invejosa, a cobiça há de ser dos únicos pecados mortais que me escapou. Não sou preguiçosa, dou-me à indolência a espaços mas vivo para fazer e concretizar. Não sou criativa, crio por necessidade de quase sobrevivência individual mas em processo lento e ponderado. Não sou boa no improviso, o inesperado faz-me parar aoContinue a ler “Tudo o que não sou”

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Music is a journey. Jazz is getting lost. 

– John O’Farrell in ‘The Best a Man Can Get’ (1999)